segunda-feira, dezembro 23, 2013
Sobre Minha Necessidade de Ser Simples
"Não quero ser rico!"
É uma das frases que falo com muita frequência, e também uma das frases na qual menos pessoas acreditam. Talvez pelo fato de que a riqueza seja o sumo objetivo da vida da maioria das pessoas, mas não, não da minha...
Sempre estudei muito e com isso sempre ouvi (e ouço) comentários do tipo "Nossa, estuda tanto! Que bom! Vai ficar muito rico!", e me perguntava se havia algo de errado comigo, pois eu não estudava para ficar rico, eu estudava porque eu gostava, assim como meu primo jogava futebol e o outro vídeo game com muita frequência eu também o fazia, só que com os estudos! Mas o meu melhor passatempo tinha um peso: eu tinha a obrigação de dar certo.
Mas o que é dar certo? O que é ser bem sucedido?
A maioria irá responder que é ficar rico, e não é exagero! Pergunte ao seu amiguinho do Facebook na outra aba! Vão atenuar a frase com "é ter estabilidade financeira". Mentira! É ficar rico! Quanto mais dinheiro a pessoa ganha mais bem sucedida ela é considerada! Ponto!
Onde o problema em eu admirar uma família cujos pais acordam cedo para ir ao trabalho, têm que cuidar dos filhos, pegam transporte público e andam de bicicleta em um parquinho perto de casa? Vou admirá-los no instante em que observar que seus atos são genuínos, imaculados, que há amor, respeito, harmonia entre eles. E isso tudo vem quando estamos no caminho certo! Sim, essa família a qual admiro não tem uma mansão ou três carros do ano na garagem, mas eles deram certo, são bem sucedidos aos meus olhos.
Sem nenhum ranço de orgulho no que falo, eu admito que pessoas já vieram me falar que se sentem mal em minha companhia por se sentirem inferiorizadas por acharem que eu tenho um nível de instrução considerado acima do delas! Meu Deus! Que triste isso! Eu que sempre tento trazer algo que bom aos que me cercam! O que posso fazer para que as pessoas vejam que o caminho que sigo é o que caminho que gosto? Espero que essa mensagem chegue a elas. Meu caminho não é melhor nem pior, tampouco é o caminho certo! É certo pra mim! Não existe caminho certo se não o que não seja o errado!
Levei muitos anos para aceitar que eu deveria mesmo dar certo, mas não no caminho que os outros julgavam certo para mim.
Não quero passar minha vida trabalhado e almejando a ditosa aposentadoria, quando poderei descansar com dinheiro.
Oh, céus, mas descansar de quê? Só se descansa quando se está cansado. O valor do descanso está diretamente ligado ao ato de cansar-se. Se um pessoa descansa o tempo todo isso deixa de ser prazeroso, pois o que era exceção passa a ser a regra.
É muito mais vantajoso viver realizando uma atividade digna com prazer, o que eventualmente leva a um desgaste físico e mental, e após esse período realizar uma outra atividade que lhe seja prazerosa, o que as pessoas chamam de 'descansar' nada mais é do que realizar uma atividade que não lhe é rotineira. Assim poupa-se viver no futuro sobre expectativas desleais.
Perdão aos que esperam tanto de mim, mas não vou ficar rico, pois não quero, pois esse não é meu conceito de felicidade e tampouco meu objetivo de vida. Ser rico é sobrar e eu não gosto do que sobra.
Quero mais é as pessoas que amo perto de mim.
É ser reconhecido pelas boas ações que faço.
É amar e conhecer pessoas.
É ter a capacidade de ajudá-las, conhecê-las.
É interação com o mundo.
É conhecer os altos e baixos da vida.
É ouvir histórias de Dona Maria.
É poder acordar em uma manhã ensolarada e sentar-me ao jardim para observar o espetáculo que é a natureza.
É numa noite fria virar a madrugada defronte a uma fogueira em prosas sem fim.
É rostos conhecidos, canções conhecidas.
É secar lágrimas e sorrir com a gente.
É abraços de amigos, comida de mãe.
É viver essa minha essência, da forma mais plena possível.
Quero mais é viver sem peso a minha extrema necessidade de ser simples.
É isso que me traz essa paz e é essa a minha maior riqueza.
- Éridi Branco
sábado, agosto 10, 2013
Sobre Perguntas e Respostas
Imagine-se chegando a nossa galáxia, a Via Láctea. Durante milhares de anos você voa sem rumo entre as estrelas e os sistemas solares. De vez em quando, gira em torno de um planeta — sem enxergar o menor sinal de vida. Você já está prestes a ir embora da Via Láctea quando, de repente, avista um planeta transbordando de vida no meio de uma das múltiplas espirais da galáxia.
Nesse exato momento você acorda. A viagem foi um sonho! Mas você percebe que o planeta que descobriu em seu sonho é o planeta onde você vive.
Você talvez seja jovem. É bem possível que tenha uma longa vida pela frente. Mas você também sabe que a vida não dura para sempre. De que maneira decidirá viver sua viagem ao planeta Terra? Que perguntas fará e que respostas dará?
Durante o café da manhã, o estranho sonho não lhe sai da cabeça. Você se dá conta de que viver na Terra é uma oportunidade fantástica. Então você abre o jornal. Talvez, em meio a seu maravilhamento e a sua alegria pela vida, lhe ocorram pensamentos sombrios. Você começa a pensar no que está lendo: florestas derrubadas, poluição, buracos na camada de ozônio, armas nucleares, radiação no meio ambiente, AIDS. Até que ponto você considera o futuro deste raro planeta responsabilidade sua.
Muitas perguntas, mesmo as mais rotineiras, que lhe passam pela cabeça quando você vai para a escola ou para o trabalho nascem em seu íntimo. O amor e o sexo, as relações com os amigos e a família, as notas nas provas e os estudos: tudo está conectado com sua perspectiva, sua visão da vida.
A caminho de casa, você pode ir conversando sobre um jogo de futebol, sobre sua próxima viagem nas férias de verão, sobre a chegada do final do ano letivo. Mas até mesmo esses fatos estão relacionados com sua perspectiva de vida. De que forma você decide passar seu tempo livre? Entrará numa organização não-governamental? Ou vai trabalhar nos momentos de folga para conseguir algum dinheiro extra? Mas, antes de tudo, há uma montanha de lição de casa para fazer. No entanto, para que serve tudo isso? O que você vai ser quando terminar a escola?
À noite, você se encontra com os amigos. Um deles conta que mandou fazer seu mapa astral; acredita firmemente na astrologia. O que será que lhe dá tanta certeza? Outro diz que tinha acabado de pensar numa velha amiga quando ela lhe telefonou. Seria telepatia? Afinal, a chamada percepção extra-sensorial é fato ou ficção? A conversa avança para questões sobre a vida e a morte. Existe vida após a morte?
E nesse ponto que você conta o sonho para eles. Você estava fazendo uma longa viagem pelo espaço sideral. Cansado de tanto gelo, das rochas e do calor escaldante, já ia se afastando da Via Láctea quando, de repente, vislumbrou à distância um planeta azul e branco. E foi nesse planeta que você acordou. Você pergunta: "O que esse sonho significa?". Será que nossos sonhos podem nos dizer algo sobre nós mesmos?
As crianças logo se tornam curiosas. Uma criança de três anos pode fazer perguntas que os adultos não conseguem responder. Uma de cinco anos pode refletir sobre os mesmos enigmas que um idoso. A necessidade de se orientar na vida é fundamental para os seres humanos. Não precisamos apenas de comida e bebida, de calor, compreensão e contatos físicos; precisamos também descobrir por que estamos vivos.
Nós perguntamos:
* Quem sou eu?
* Como foi que o mundo passou a existir?
* Que forças governam a história?
* Deus existe?
* O que acontece conosco quando morremos?
Essas são as chamadas questões existenciais, pois dizem respeito a nossa própria existência. Muitas questões existenciais são bastante gerais e surgem em todas as culturas. Embora nem sempre sejam expressas de maneira tão sucinta, elas formam a base de todas as religiões. Não existe nenhuma raça ou tribo de que haja registro que não tenha tido algum tipo de religião.
Em certos períodos da história, houve gente que colocou questões existenciais numa base puramente humana, não religiosa. Mas foi só há pouco tempo que grandes grupos de pessoas pararam de pertencer a qualquer religião reconhecida. Isso não implica necessariamente que tenham perdido o interesse pelas relevantes questões existenciais.
Alguém já disse que viver é escolher. Muitas pessoas fazem escolhas sem pensar com seriedade se estas são congruentes, ou se existe alguma coerência em sua atitude com relação à vida. Outras sentem necessidade de moldar a atitude delas de maneira mais abrangente e estável.
Cada um de nós tem uma visão da vida. A questão é: até que ponto fomos nós mesmos que a escolhemos, até que ponto ela é nossa própria visão? Até que ponto estamos conscientes de nossa visão?...
- Introdução do livro O Livro das Religiões, por Jostein Gaarder.
domingo, maio 26, 2013
Sobre Invejas e Emulações
"Não se deve perder tempo com os estranhamentos, com os gostos amalucados, com os diz que diz, que aumentam o que é pequeno ou agigantam o que nem sequer existiu.
Quando perdemos tempo com sentenças promulgadas por quem não de direito
ou quando contraímos as sobrancelhas, sobressaltados por medos que nem virão,
perdemos uma qualidade raríssima, que é a de ver a poética de dentro da tenda
do amor.
Damos cor à vida. Incendiamos de fogo nossa existência quando não nos
perdemos nos risinhos falsos dos que, por medo, invejam. A experiência da dor
que vem da inveja é horrível porque penetra no mundo pantanoso da injustiça. Sofremos
por sermos mal compreendidos. Sofremos porque os olhares que nos perseguiram
impiedosamente estavam afetados de uma doença cruel e mesquinha que cega as
pupilas da verdade. São prematuros os dizeres que desconhecem o essencial. Fofocas,
inverdades, crueldades da palavra, armas aparentemente brandas que destroem com
vagar, ou ao menos tentam, nossos sonhos. Não temos o poder de dominar o que
pensamos. Há muita presença indesejada que habita nossa mente. Mas é assim, a
inveja lança flechas e aguarda para contemplar o estrago. É nesses momentos que
precisamos buscar forças para prosseguir sem pestanejar. Nada de trégua ao
inimigo. A verdade precisa nos acompanhar, mesmo que em um primeiro momento
tenhamos de sacrificar o aplauso.
A inveja destrói as relações e cria embaraços desagradáveis. O invejoso
é pior do que aquele que cobiça. O invejoso não deseja o que é do outro, deseja
apenas que o outro não tenha o que tem, não seja o que é. O invejoso não tem e
não é! Não como uma condição essencial, mas como consequência de sua própria
negação por desperdiçar tanto tempo e tanta atenção à história alheia. Por que
tanto medo de que o outro seja mais visto ou mais aplaudido? O que vale o
instante? A cerimônia? O momento? Os aplausos se revezam, o poder é
transitório, os holofotes iluminam cenários diferentes. Há espaço para todos,
para todos os que se dispõem a trilhar o bom caminho.
Sem querer simplificar esse malfadado sentimento da inveja, arrisco
dizer que ele nasce de vidas não vividas ou vidas que, vividas, correm o risco
de cessar. Naturalmente o invejoso sofre mais do que o invejado, que na maior
parte das vezes não sabe que incomoda tanto. O invejoso perde grande
oportunidade de participar da festa e conviver dentro da sua tenda do amor, com
o que há de melhor no banquete da convivência. Fica na esparrela, enlameado e
sufocado. Diz o que não sente porque não se dá ao luxo de sentir. Está sujo
demais para conhecer a si mesmo. O invejado sofre as consequências de notícias
que chegam da lama e, às vezes, se perde também. Quer entrar na lama para
conversar de igual para igual com aquele que o aviltou. Quer brigar na mesma
arena inóspita. Mas não é preciso nem agradável entrar na lama. Como as pessoas
se perdem quando agridem os agressores!
Que vençamos o medo de não fazer o que tem que ser feito pela ausência
do aplauso ou da compreensão. Em todo ser vivente, pensante, mora uma arte que
dá unicidade à sua ação. É assim com quem tem a disposição de sair da caverna e
enfrentar as feras e as tempestades para simplesmente viver."
- Gabriel Chalita
Tenha essa disposição!
domingo, maio 05, 2013
Sobre o Saudoso Passado
"Naquele tempo o tempo era mais demorado e as mulheres ainda tinham
máquina de costura. Pinturas, bordados e tricôs faziam parte do universo feminino, sem que isso
representasse uma atividade de segunda grandeza. O feminismo ainda não havia
retirado das mulheres o direito de
saberem tecer os seus próprios panos de prato, nem tampouco bordar as suas
toalhas de mesa.
Hoje, quando elas querem isso, recorrem às raras especialistas em serviços manuais e pagam caro pela beleza. É que quando desejamos algo que esteja tocado pela sensibilidade, que não tenha sido produzido em série, temos de desembolsar uma boa quantia por isso. Sensibilidade tem custado muito caro aos nossos bolsos.
Hoje, quando elas querem isso, recorrem às raras especialistas em serviços manuais e pagam caro pela beleza. É que quando desejamos algo que esteja tocado pela sensibilidade, que não tenha sido produzido em série, temos de desembolsar uma boa quantia por isso. Sensibilidade tem custado muito caro aos nossos bolsos.
Naquele tempo, as meninas usavam vestidos rodados, bordados e rendas. Não era crime contra o mundo da moda colocar laços de fita nos cabelos. A infância podia ser evidenciada, mostrada e valorizada. As crianças não tinham a obrigação de se portarem como pequenos adultos, e não existiam sandálias com nome de artistas substituindo os tradicionais sapatinhos brancos de lacinhos cor-de-rosa, que sempre eram guardados depois de não mais servirem aos pés, pois depois da utilidade sempre vem o significado.
As crianças não calçavam plásticos. A vida exigia matérias mais nobres e duradouras. Naquele tempo era mais fácil dizer isso. Havia mais disposição para ver o tempo passar, menos pressa, porque as distâncias eram maiores. Engraçado isso, mas quanto menor a distância, maior é a pressa e ansiedade de chegar. Existia menos asfalto nas estradas e as mulheres ainda bordavam suas próprias toalhas.
As casas tinham alpendres, lugares onde o namoro começava, e tinham também quintais, lugares onde a infância se registrava em pedras e jabuticabeiras.
Naquele tempo, tínhamos de confeccionar nossos próprios sonhos. Ninguém sonhava por nós. Os brinquedos não vinham empacotados, mas despencavam de nossas criatividades
e se materializavam em buchas que viravam bois, em panos que viravam bonecas e em tijolos que riscavam no chão o formato de um garrafão, onde todos se tornavam prisioneiros.
Quem dera nossas crianças ainda continuassem aprisionadas no garrafão riscado no chão. O que hoje as ameaça não é mais uma prisão imaginária, moralmente respeitada como regra compreendida de um jogo, delineada por um risco de tijolo no chão. As prisões de hoje entram pelos olhos e a regra é matar ou morrer. Já não existe espaço para o inocente, para o ingênuo e para o meramente lúdico. A violência ofuscou a simplicidade do mundo infantil. Trocamos os boizinhos feitos de buchas por metralhadoras de plástico, por videogames que excitam os olhos de nossas crianças e retiram delas o sono.
Naquele tempo, as crianças não tinham insônia, porque o cansaço das brincadeiras as levava cedo para a cama.
Naquele tempo, as pessoas podiam se entristecer sem o perigo de serem diagnosticadas como deprimidas. Era possível ficar triste sem culpa, sem ansiedade e sem a pressa do medicamento que a fizesse alegre de novo. Depois da tristeza, sempre retornava a alegria. Não a alegria ansiosa, exageradamente eufórica, irreal, mas a serena alegria, aquela que antes de ser externada já se esmerou em alimentar o coração e seus silêncios. A alegria que não corresponde às expectativas alheias, mas que existe pelo simples prazer de ser e estar no coração que a carrega.
Com o processo de superficialização do mundo, tudo tende a se tornar mais exterior e, por isso, mais facilmente falseado. Tristezas também são mais exteriores, sem razão concreta, fundamentada.
Naquele tempo, o coração humano suportava mais as adversidades e os conflitos. Não sei por que, mas sei que era assim. Talvez seja porque, naquele tempo, as rádios tocavam "Chão de estrelas" e outras preciosidades da criação humana, e hoje, não se tem mais tempo para as músicas
daquele tempo.
É que, naquele tempo, os compositores aliviavam a existência humana entretendo e fazendo pensar, e, por isso, as crianças eram crianças e os tristes ainda eram criativos.
Naquele tempo, naquele tempo, lembra?"
- Fábio de Melo
terça-feira, abril 09, 2013
A Break
"Hoje me dei um tempo para pensar na vida.
Decidi então que a partir do próximo amanhecer, vou mudar alguns detalhes para ser, a cada novo dia, um pouquinho mais feliz.
Para começar, não vou mais olhar para trás.
O que passou é passado, se errei, agora não vou conseguir corrigir. Então, para que remoer o que passou?
Refletir sobre aqueles erros sim e, então, fazer deles um aprendizado para o meu hoje.
Nem todas as pessoas que amo retribuem meus carinhos como eu gostaria. E daí?
A partir do próximo amanhecer vou continuar a amá-las, mas não vou tentar mudá-las.
Pode ser até que ficassem como eu gostaria que fossem e assim deixassem de ser as pessoas que eu amo.
Isso eu não quero.
Mudo eu.
Mudo meu modo de vê-las.
Respeito seu modo de ser.
A partir do próximo amanhecer, vou lutar com mais garra para alcançar meus objetivos.
Mas vai ser diferente.
Não vou mais responsabilizar a ninguém a minha felicidade.
Não vou parar a minha vida porque o que desejo não acontece, porque uma mensagem não chega, porque não ouço o que gostaria de ouvir.
Vou fazer o meu momento. Vou ser feliz agora.
Terei outros dias pela frente.
A partir do próximo amanhecer, vou agradecer a Deus, todos os dias, por me dar forças para viver, apesar dos meus problemas.
Não mais sofrer pelo que não consigo ter, pelo que não ouço ou não leio, pelo tempo que não tenho e nem sofrer por antecipação, pensando sempre, apenas no pior.
A partir do próximo amanhecer só vou pensar no que tenho de bom.
A partir do próximo amanhecer vou ser eu mesmo.
Nunca mais vou sorrir sem vontade ou falar palavras amorosas por que acho que sei o que os outros querem ouvir.
A partir do próximo amanhecer vou viver minha vida. Sem medo de ser feliz.
Vou continuar esperando.
Não, não vou esquecer ninguém.
Mas, a partir do próximo amanhecer, quando a gente se encontrar, com certeza, vou te dar aquele abraço bem apertado, e com muita sinceridade dizer. "Gosto muito de você e tenho muito amor para lhe dar."
- Rosalva Rela
Decidi então que a partir do próximo amanhecer, vou mudar alguns detalhes para ser, a cada novo dia, um pouquinho mais feliz.
Para começar, não vou mais olhar para trás.
O que passou é passado, se errei, agora não vou conseguir corrigir. Então, para que remoer o que passou?
Refletir sobre aqueles erros sim e, então, fazer deles um aprendizado para o meu hoje.
Nem todas as pessoas que amo retribuem meus carinhos como eu gostaria. E daí?
A partir do próximo amanhecer vou continuar a amá-las, mas não vou tentar mudá-las.
Pode ser até que ficassem como eu gostaria que fossem e assim deixassem de ser as pessoas que eu amo.
Isso eu não quero.
Mudo eu.
Mudo meu modo de vê-las.
Respeito seu modo de ser.
A partir do próximo amanhecer, vou lutar com mais garra para alcançar meus objetivos.
Mas vai ser diferente.
Não vou mais responsabilizar a ninguém a minha felicidade.
Não vou parar a minha vida porque o que desejo não acontece, porque uma mensagem não chega, porque não ouço o que gostaria de ouvir.
Vou fazer o meu momento. Vou ser feliz agora.
Terei outros dias pela frente.
A partir do próximo amanhecer, vou agradecer a Deus, todos os dias, por me dar forças para viver, apesar dos meus problemas.
Não mais sofrer pelo que não consigo ter, pelo que não ouço ou não leio, pelo tempo que não tenho e nem sofrer por antecipação, pensando sempre, apenas no pior.
A partir do próximo amanhecer só vou pensar no que tenho de bom.
A partir do próximo amanhecer vou ser eu mesmo.
Nunca mais vou sorrir sem vontade ou falar palavras amorosas por que acho que sei o que os outros querem ouvir.
A partir do próximo amanhecer vou viver minha vida. Sem medo de ser feliz.
Vou continuar esperando.
Não, não vou esquecer ninguém.
Mas, a partir do próximo amanhecer, quando a gente se encontrar, com certeza, vou te dar aquele abraço bem apertado, e com muita sinceridade dizer. "Gosto muito de você e tenho muito amor para lhe dar."
- Rosalva Rela
sábado, abril 06, 2013
The Everyday Beauty
"Ainda bem que o tempo passa!
Já imaginou o desespero que tomaria conta de nós se tivéssemos que suportar uma segunda-feira eterna?
A beleza de cada dia só existe porque não é duradoura. Tudo o que é belo não pode ser aprisionado, porque aprisionar a beleza é uma forma de desintegrar a sua essência.
Dizem que havia uma menina que se maravilhava todas as manhãs com a presença de um pássaro encantado. Ele pousava em sua janela e a presenteava com um canto que não durava mais que cinco minutos. A beleza era tão intensa que o canto a alimentava pelo resto do dia. Certa vez, ela resolveu armar uma armadilha para o pássaro encantado. Quando ele chegou, ela o capturou e o deixou preso na gaiola para que pudesse ouvir por mais tempo o seu canto.
O grande problema é que a gaiola o entristeceu, e triste, deixou de cantar.
Foi então que a menina descobriu que, o canto do pássaro só existia, porque ele era livre. O encanto estava justamente no fato de não o possuir. Livre, ele conseguia derramar na janela do quarto, a parcela de encanto que seria necessário, para que a menina pudesse suportar a vida. O encanto alivia a existência. Aprisionado, ela o possuia, mas não recebia dele o que ela considerava ser a sua maior riqueza: o canto!
Fico pensando que nem sempre sabemos recolher só encanto. Por vezes, insistimos em capturar o encantador, e então o matamos de tristeza.
Amar talvez seja isso: Ficar ao lado, mas sem possuir. Viver também.
Precisamos descobrir, que há um encanto nosso de cada dia, que só poderá ser descoberto à medida em que nos empenharmos em não reter a vida.
Viver é exercício de desprendimento. É aventura de deixar que o tempo leve o que é dele, e que fique só o necessário para continuarmos as novas descobertas.
Há uma beleza escondida nas passagens. Vida antiga que se desdobra em novidades. Coisas velhas que se revestem de frescor. Basta que retiremos os obstáculos da passagem. Deixar a vida seguir. Não há tristeza que mereça ser eterna. Nem felicidade. Talvez seja por isso que o verbo dividir nos ajude tanto no momento em que precisamos entender o sentimento da tristeza e da alegria. Eles só são suportáveis à medida em que os dividimos. E enquanto dividimos, eles passam, assim como tudo precisa passar.
Não se prenda ao acontecimento que agora parece ser definitivo. O tempo está passando. Uma redenção está sendo nutrida nessa hora. Abra os olhos. Há encantos escondidos por toda parte. Presta atenção. São miúdos, mas constantes. Olhe para a janela de sua vida e perceba o pássaro encantado na sua história. Escute o que ele canta, mas não caia na tentação de querê-lo o tempo todo só pra você. Ele só é encantado porque você não o possui.
E nisto consiste a beleza desse instante: o tempo está passando, mas o encanto que você pode recolher será o suficiente para esperar até amanhã, quando o passaro encantado, quando você menos imaginar, voltar a pousar na sua janela."
(Pe. Fábio de Melo)
sexta-feira, fevereiro 08, 2013
Count On Me
Em um mundo em provas como o nosso, sabe-se quão árdua é a possibilidade de encontrar alguém com quem possamos contar incondicionalmente. Este texto, escrito há mais de cem anos, externaliza bem a relação de fraternidade que um dia dominará o mundo.
"Conte comigo, mesmo sem contar a mim tanta coisa que lhe pesa no coração, que lhe amargura e resseca o fundo d'alma.
Conte, nas horas mais abandonadas da vida, quando o olhar, vagando em derredor, só divisar deserto.
Conte comigo, mesmo sem vontade de contar com ninguém ou certo de que não vale a pena contar com mais ninguém, nesta vida.
Conte comigo, devagarinho, deixando que a boa vontade vá dizendo, sem nada forçar, à medida em que acreditar.
Conte, durante as agonias, que, de um tempo para cá, não deixam em paz seu cansado coração, pois o bom da vida consiste em encontrar um amigo.
Conte, nas horas inesperadas, quando as tempestades despregam repentinas e tombam por cima da sua cabeça triste.
Conte comigo, para reaprender a cantar, durante a vida, e a viver de serenas e pequeninas felicidades.
Conte comigo, para eu ajudá-lo a ter rosto bom e quieto, ao menos na presença dos filhinhos menores, que vivem dos rostos abertos.
Conte, para auxiliá-lo no amargo carregamento da cruz.
Conte comigo, para ficar sabendo, de experiência, que há na vida muita coisa linda, coisa escondida, prêmio de quem se venceu na dor.
Conte, para triunfar, no ritmo vagaroso do dever, na cadência da paz diária, aprendendo a teimar com as teimas da vida madrasta.
Conte, que são largos os caminhos da vida, esperando os passos duplos de dois amigos que vão, na direção da conversa.
Conte comigo, para saber olhar ao alto, buscando a face de um Pai.
Conte, mesmo para não se entregar aos desânimos e desencantos, de quem anda cheio da vida, do começo ao fim.
Conte comigo, que venceremos juntos.
Conte, que a vida tem de ser bela, criando nós as belezas, de dentro para fora, obrigação do coração, missão da Fé.
Conte comigo, conte sempre, teimando com você mesmo, que não quer saber de mais nada, ofendido que foi, descrente que anda.
Conte quando, olhando para a frente, não sente vontade de andar; olhando para trás, tem medo do caminho que andou.
Conte comigo, para que tenha valor e beleza cada passo seu, cada dia da vida, cada hora dentro de cada dia.
Conte, conte mesmo, sabendo que Deus nos deu a missão de fazer companhia aos desacompanhados corações dos homens."
(Allan Kardec)
"Conte comigo, mesmo sem contar a mim tanta coisa que lhe pesa no coração, que lhe amargura e resseca o fundo d'alma.
Conte, nas horas mais abandonadas da vida, quando o olhar, vagando em derredor, só divisar deserto.
Conte comigo, mesmo sem vontade de contar com ninguém ou certo de que não vale a pena contar com mais ninguém, nesta vida.
Conte comigo, devagarinho, deixando que a boa vontade vá dizendo, sem nada forçar, à medida em que acreditar.
Conte, durante as agonias, que, de um tempo para cá, não deixam em paz seu cansado coração, pois o bom da vida consiste em encontrar um amigo.
Conte, nas horas inesperadas, quando as tempestades despregam repentinas e tombam por cima da sua cabeça triste.
Conte comigo, para reaprender a cantar, durante a vida, e a viver de serenas e pequeninas felicidades.
Conte comigo, para eu ajudá-lo a ter rosto bom e quieto, ao menos na presença dos filhinhos menores, que vivem dos rostos abertos.
Conte, para auxiliá-lo no amargo carregamento da cruz.
Conte comigo, para ficar sabendo, de experiência, que há na vida muita coisa linda, coisa escondida, prêmio de quem se venceu na dor.
Conte, para triunfar, no ritmo vagaroso do dever, na cadência da paz diária, aprendendo a teimar com as teimas da vida madrasta.
Conte, que são largos os caminhos da vida, esperando os passos duplos de dois amigos que vão, na direção da conversa.
Conte comigo, para saber olhar ao alto, buscando a face de um Pai.
Conte, mesmo para não se entregar aos desânimos e desencantos, de quem anda cheio da vida, do começo ao fim.
Conte comigo, que venceremos juntos.
Conte, que a vida tem de ser bela, criando nós as belezas, de dentro para fora, obrigação do coração, missão da Fé.
Conte comigo, conte sempre, teimando com você mesmo, que não quer saber de mais nada, ofendido que foi, descrente que anda.
Conte quando, olhando para a frente, não sente vontade de andar; olhando para trás, tem medo do caminho que andou.
Conte comigo, para que tenha valor e beleza cada passo seu, cada dia da vida, cada hora dentro de cada dia.
Conte, conte mesmo, sabendo que Deus nos deu a missão de fazer companhia aos desacompanhados corações dos homens."
(Allan Kardec)
terça-feira, janeiro 01, 2013
Sobre A Crítica
Dando início a uma série de reflexões acerca do comportamento humano, escolhi a crítica.
Todo fim de ano vemos pessoas reacessando memórias do ano
que se finda e vemos trocas de desejos de muitas coisas que julgamos faltar no
ser alvo dos votos ou que julgamos essenciais à felicidade do mesmo, tais como
amor, paz, felicidade, saúde, dinheiro, etc. Muito natural pra mim ver essas
coisas, com as quais estou acostumado a lidar. Porém, um fato vem me chamando a
atenção: a crítica de muitas pessoas sobre esse reacesso a memórias e sobre os
votos de fim de ano. Vamos por parte, ao analisar as críticas acerca da
retrospectiva do ano vi inúmeros comentários do tipo “reclama o ano inteiro e
depois vem agradecer pelo ano bom”. É claro que todos nós passamos por maus
momentos ao longo de um ano, um ano é um período demasiadamente longo para que
tudo seja flores e momentos de tristeza e angústia fazem parte da vida de
todos, e caso alguém sinta a vontade e/ou necessidade de compartilhar o seu
pesar de alguma forma, onde o mal nisso? Se a pessoa sentir-se-á melhor desta
forma e isso auxiliará no processo de atenuação de sua mágoa não vejo
condenação aceitável sobre tal ato. Vivemos em uma cultura onde não cultuamos o
sofrimento (ainda vou escrever sobre isso), logo, quando alguém pretende acessar
as memórias de um ano, ela tende a ser grata pelos momentos bons, não há porque
reviver memórias que lhe são amargas, logo, tal comentário dos críticos não
apresenta um fundamento lógico. Quanto aos votos de fim de ano, me deparei com
críticas acerca da fidedignidade dos sentimentos. O ser humano é um ser muito
complexo, e complexa é também a natureza dos seus sentimentos, pois a relação
interpessoal é influenciada por fatores imensuráveis e com uma subjetividade
infinita, logo analisar a fidedignidade dos sentimentos de alguém é uma tarefa assaz
arriscada e obviamente tal fato, sendo feito de uma forma generalizada, é uma
afronta ao raciocínio lógico e já não merece mais profundas análises e
comentários.
Apesar de discordar em muitos pontos com essas observações,
isso não me surpreendeu, e muito me fez pensar sobre a natureza da crítica.
Vejamos algumas conclusões. Há aquela crítica onde o crítico de fato acredita
no que está falando, o que vou chamar de “crítico convicto”, e nesse caso ele persistirá
na garantia de sua razão. E dentro desse há os que têm a sua razão sem uma
análise dos porquês de sua crítica, chamá-los-ei “críticos cegos, surdos, porém
não mudos”; e os que têm a sua razão fundamentada em um pensamento acerca das
razões que o levaram a tal convicção, chamá-los-ei “críticos racionais”. Os primeiros
não são dignos de análises acuradas acerca de seus comentários, uma vez que
os mesmos não passam pela razão, e no mundo fora da razão a análise não é
bem-vinda. Os últimos podem ser subdivididos em “críticos racionais flexíveis”,
que são os que estão abertos a comutas em seu ponto de vista; e em “críticos
racionais inflexíveis”, que são os radicais, que acreditam em suas verdades de
uma forma absoluta. Outra forma de crítica, em oposição à do “crítico convicto”
é a crítica oriunda dos que criticam sem acreditar de fato em suas razões, por
vezes têm até uma opinião opoente, chamá-los-ei de “críticos dúbios”, e os
subdivido em “críticos dúbios conscientes”, que são os que têm ciência de sua
falsa crítica; e os “críticos dúbios inconscientes”, que são os que não têm
essa ciência, e agem de forma a se enganar sobre a sua verdade. Os “críticos
dúbios” merecem uma atenção especial, pois quais fatores poderiam ser responsáveis para
que uma pessoa faça uma crítica sem acreditar de fato nela? Vejo nisso uma
forma de radicalismo, dentre os inúmeros fatores que podem originar tal
comportamento, e esse radicalismo consistiria em estar-se radicalmente apegado
à sua verdade, ao ponto de não abandoná-la, mesmo verificando sua inadequação.
Logo, em síntese, temos:
- Crítico
Convicto
- Crítico Convicto Cego
- Crítico Convicto Racional
- Crítico Convicto
Racional Flexível
- Crítico Convicto
Racional Inflexível
- Crítico
Dúbio
- Crítico Dúbio Consciente
- Crítico Dúbio Inconsciente
E a ditosa “crítica
construtiva”? Acredito que só podemos encontrá-la dentro dos críticos convictos
racionais flexíveis, pois para que a crítica resulte em algo positivo ela deve
ter uma base em que se fundamentar, daí a convicção racional, e, outrossim, tem
de estar aberta a modificações, caso se façam necessárias.
Meu objetivo aqui não é condenar a crítica, e tampouco poderia fazê-lo, pois seria uma análise assaz antagônica, uma vez que a
condenação já é uma forma de crítica. Logo, não a condeno, apenas levo à reflexão
o fato de haver formas mais ou menos justas de fazê-la. Vale analisar que tipo
de crítico temos sido.
É claro que isso é apenas um ensaio sobre a crítica e suas
inúmeras facetas. Poderíamos divagar perenemente sobre esse comportamento
humano. De forma cômica, mas muito adequada, advirto aos que discordam desta
postagem que podem criticá-la, mas, claro, de uma forma convicta, racional e
flexiva.
A Good Year
2013! Mais um ano começando. Tempo de fazer uma
retrospectiva em nossas vidas. E neste blog eu tenho muitas lembranças
armazenadas, afinal, nesse novo ano completo 6 anos de blog, e essas
reminiscências que encontro aqui são o fator principal que me fazem permanecer
a postar. É maravilho rever postagens antigas e me lembrar do que me motivou a
criá-las. Comecei a postar aqui aos 16 anos de idade, em exata uma semana
completo 22, e aqui deixei as pegadas de toda essa minha transição ao longo
desses anos, por isso resolvi mudar o nome do blog de “Who Are We” (bem piegas e
pueril por sinal) para “Footprints In The Sand” (bem dramático, porém divertido). Mas,
o foco aqui hoje não é o meu blog. Falarei na próxima postagem sobre algo mais
profundo, voltando, finalmente, às minhas raízes!
Assinar:
Comentários (Atom)


.jpg)



