Em um mundo em provas como o nosso, sabe-se quão árdua é a possibilidade de encontrar alguém com quem possamos contar incondicionalmente. Este texto, escrito há mais de cem anos, externaliza bem a relação de fraternidade que um dia dominará o mundo.
"Conte comigo, mesmo sem contar a mim tanta coisa que lhe pesa no coração, que lhe amargura e resseca o fundo d'alma.
Conte, nas horas mais abandonadas da vida, quando o olhar, vagando em derredor, só divisar deserto.
Conte comigo, mesmo sem vontade de contar com ninguém ou certo de que não vale a pena contar com mais ninguém, nesta vida.
Conte comigo, devagarinho, deixando que a boa vontade vá dizendo, sem nada forçar, à medida em que acreditar.
Conte, durante as agonias, que, de um tempo para cá, não deixam em paz seu cansado coração, pois o bom da vida consiste em encontrar um amigo.
Conte, nas horas inesperadas, quando as tempestades despregam repentinas e tombam por cima da sua cabeça triste.
Conte comigo, para reaprender a cantar, durante a vida, e a viver de serenas e pequeninas felicidades.
Conte comigo, para eu ajudá-lo a ter rosto bom e quieto, ao menos na presença dos filhinhos menores, que vivem dos rostos abertos.
Conte, para auxiliá-lo no amargo carregamento da cruz.
Conte comigo, para ficar sabendo, de experiência, que há na vida muita coisa linda, coisa escondida, prêmio de quem se venceu na dor.
Conte, para triunfar, no ritmo vagaroso do dever, na cadência da paz diária, aprendendo a teimar com as teimas da vida madrasta.
Conte, que são largos os caminhos da vida, esperando os passos duplos de dois amigos que vão, na direção da conversa.
Conte comigo, para saber olhar ao alto, buscando a face de um Pai.
Conte, mesmo para não se entregar aos desânimos e desencantos, de quem anda cheio da vida, do começo ao fim.
Conte comigo, que venceremos juntos.
Conte, que a vida tem de ser bela, criando nós as belezas, de dentro para fora, obrigação do coração, missão da Fé.
Conte comigo, conte sempre, teimando com você mesmo, que não quer saber de mais nada, ofendido que foi, descrente que anda.
Conte quando, olhando para a frente, não sente vontade de andar; olhando para trás, tem medo do caminho que andou.
Conte comigo, para que tenha valor e beleza cada passo seu, cada dia da vida, cada hora dentro de cada dia.
Conte, conte mesmo, sabendo que Deus nos deu a missão de fazer companhia aos desacompanhados corações dos homens."
(Allan Kardec)
sexta-feira, fevereiro 08, 2013
terça-feira, janeiro 01, 2013
Sobre A Crítica
Dando início a uma série de reflexões acerca do comportamento humano, escolhi a crítica.
Todo fim de ano vemos pessoas reacessando memórias do ano
que se finda e vemos trocas de desejos de muitas coisas que julgamos faltar no
ser alvo dos votos ou que julgamos essenciais à felicidade do mesmo, tais como
amor, paz, felicidade, saúde, dinheiro, etc. Muito natural pra mim ver essas
coisas, com as quais estou acostumado a lidar. Porém, um fato vem me chamando a
atenção: a crítica de muitas pessoas sobre esse reacesso a memórias e sobre os
votos de fim de ano. Vamos por parte, ao analisar as críticas acerca da
retrospectiva do ano vi inúmeros comentários do tipo “reclama o ano inteiro e
depois vem agradecer pelo ano bom”. É claro que todos nós passamos por maus
momentos ao longo de um ano, um ano é um período demasiadamente longo para que
tudo seja flores e momentos de tristeza e angústia fazem parte da vida de
todos, e caso alguém sinta a vontade e/ou necessidade de compartilhar o seu
pesar de alguma forma, onde o mal nisso? Se a pessoa sentir-se-á melhor desta
forma e isso auxiliará no processo de atenuação de sua mágoa não vejo
condenação aceitável sobre tal ato. Vivemos em uma cultura onde não cultuamos o
sofrimento (ainda vou escrever sobre isso), logo, quando alguém pretende acessar
as memórias de um ano, ela tende a ser grata pelos momentos bons, não há porque
reviver memórias que lhe são amargas, logo, tal comentário dos críticos não
apresenta um fundamento lógico. Quanto aos votos de fim de ano, me deparei com
críticas acerca da fidedignidade dos sentimentos. O ser humano é um ser muito
complexo, e complexa é também a natureza dos seus sentimentos, pois a relação
interpessoal é influenciada por fatores imensuráveis e com uma subjetividade
infinita, logo analisar a fidedignidade dos sentimentos de alguém é uma tarefa assaz
arriscada e obviamente tal fato, sendo feito de uma forma generalizada, é uma
afronta ao raciocínio lógico e já não merece mais profundas análises e
comentários.
Apesar de discordar em muitos pontos com essas observações,
isso não me surpreendeu, e muito me fez pensar sobre a natureza da crítica.
Vejamos algumas conclusões. Há aquela crítica onde o crítico de fato acredita
no que está falando, o que vou chamar de “crítico convicto”, e nesse caso ele persistirá
na garantia de sua razão. E dentro desse há os que têm a sua razão sem uma
análise dos porquês de sua crítica, chamá-los-ei “críticos cegos, surdos, porém
não mudos”; e os que têm a sua razão fundamentada em um pensamento acerca das
razões que o levaram a tal convicção, chamá-los-ei “críticos racionais”. Os primeiros
não são dignos de análises acuradas acerca de seus comentários, uma vez que
os mesmos não passam pela razão, e no mundo fora da razão a análise não é
bem-vinda. Os últimos podem ser subdivididos em “críticos racionais flexíveis”,
que são os que estão abertos a comutas em seu ponto de vista; e em “críticos
racionais inflexíveis”, que são os radicais, que acreditam em suas verdades de
uma forma absoluta. Outra forma de crítica, em oposição à do “crítico convicto”
é a crítica oriunda dos que criticam sem acreditar de fato em suas razões, por
vezes têm até uma opinião opoente, chamá-los-ei de “críticos dúbios”, e os
subdivido em “críticos dúbios conscientes”, que são os que têm ciência de sua
falsa crítica; e os “críticos dúbios inconscientes”, que são os que não têm
essa ciência, e agem de forma a se enganar sobre a sua verdade. Os “críticos
dúbios” merecem uma atenção especial, pois quais fatores poderiam ser responsáveis para
que uma pessoa faça uma crítica sem acreditar de fato nela? Vejo nisso uma
forma de radicalismo, dentre os inúmeros fatores que podem originar tal
comportamento, e esse radicalismo consistiria em estar-se radicalmente apegado
à sua verdade, ao ponto de não abandoná-la, mesmo verificando sua inadequação.
Logo, em síntese, temos:
- Crítico
Convicto
- Crítico Convicto Cego
- Crítico Convicto Racional
- Crítico Convicto
Racional Flexível
- Crítico Convicto
Racional Inflexível
- Crítico
Dúbio
- Crítico Dúbio Consciente
- Crítico Dúbio Inconsciente
E a ditosa “crítica
construtiva”? Acredito que só podemos encontrá-la dentro dos críticos convictos
racionais flexíveis, pois para que a crítica resulte em algo positivo ela deve
ter uma base em que se fundamentar, daí a convicção racional, e, outrossim, tem
de estar aberta a modificações, caso se façam necessárias.
Meu objetivo aqui não é condenar a crítica, e tampouco poderia fazê-lo, pois seria uma análise assaz antagônica, uma vez que a
condenação já é uma forma de crítica. Logo, não a condeno, apenas levo à reflexão
o fato de haver formas mais ou menos justas de fazê-la. Vale analisar que tipo
de crítico temos sido.
É claro que isso é apenas um ensaio sobre a crítica e suas
inúmeras facetas. Poderíamos divagar perenemente sobre esse comportamento
humano. De forma cômica, mas muito adequada, advirto aos que discordam desta
postagem que podem criticá-la, mas, claro, de uma forma convicta, racional e
flexiva.
A Good Year
2013! Mais um ano começando. Tempo de fazer uma
retrospectiva em nossas vidas. E neste blog eu tenho muitas lembranças
armazenadas, afinal, nesse novo ano completo 6 anos de blog, e essas
reminiscências que encontro aqui são o fator principal que me fazem permanecer
a postar. É maravilho rever postagens antigas e me lembrar do que me motivou a
criá-las. Comecei a postar aqui aos 16 anos de idade, em exata uma semana
completo 22, e aqui deixei as pegadas de toda essa minha transição ao longo
desses anos, por isso resolvi mudar o nome do blog de “Who Are We” (bem piegas e
pueril por sinal) para “Footprints In The Sand” (bem dramático, porém divertido). Mas,
o foco aqui hoje não é o meu blog. Falarei na próxima postagem sobre algo mais
profundo, voltando, finalmente, às minhas raízes!
quarta-feira, dezembro 26, 2012
Upcoming Posts
Decidi que a partir do próximo ano vou tentar fazer uma postagem mensal divagando sobre algum tópico específico. O título será sobre o tema escolhido.
Assim, busco resgatar duas coisas: esse blog e minha aptidão para escrever.
2013, here we come!
Assim, busco resgatar duas coisas: esse blog e minha aptidão para escrever.
2013, here we come!
...
Sempre fui um amante da madrugada. Não sei bem explicar o
porquê, mas meus sentimentos florescem nesse período do dia, percebo que sou
mais produtivo, mais reflexivo e filosófico. Eis me aqui, em uma madrugada de
Natal. Fiz algo que eu gosto muito de fazer, andar pela casa de madrugada quando todos
dormem, fico olhando cada detalhe de cada coisa que com a correria do dia eu
não tenho a oportunidade de observar, fico vendo as pequenas coisas que minha
mãe faz e que torna a casa tão casa de verdade, olho para esse
cenário, que foi e é palco de inúmeros momentos únicos que passei e passo com
minha família. É tão reconfortante fazer isso, é bom saber que naquele momento
todas as pessoas que mais amo estão dormindo, em um local seguro, muito em paz,
eu me sinto protetor, como se nada as pudesse afetar, e é um sensação muito
agradável. Volto ao meu quarto e olho pela minha janela e vejo as pessoas
passando, falando alto, com passos apressados, sempre tão ocupadas. E penso que
tantas vezes faço o mesmo. Será que elas tiram um tempo pra pensar na vida?
Devem tirar... Mas parei para olhar o céu, esse céu que me faz sentir tão bem e
que me remete aos meus dias de menino, quando tinha tempo pra acompanhar o
dançar das estrelas todas as noites, sempre fazendo tantas perguntas, enquanto me maravilhava com a beleza dos astros e tentava compreender o infinito... Como eu senti falta de olhar para o céu.
Olhei para o meu bairro, essas ruas que me viram crescer, onde aprendi tantas
coisas que vou levar por toda a minha vida. Mas não sou mais aquele menino que brincava nessas ruas, em
duas semanas completo 22 anos de idade. Nossa, eu sou bem diferente do que
achei que fosse ser quando completasse 22 anos de idade, e projeto isso às
minhas idades futuras também. Percebo que a vida não é fantasia ou contos de
fadas. Ah, meus sonhos de menino, tão ingênuos, porém tão belos. É, prometi a mim mesmo postar na madrugada de Natal, mas essa madrugada
me traiu, já não consigo expressar em palavras meus pensamentos. Melhor parar
por aqui...
sexta-feira, setembro 28, 2012
Obsession
"Nesse momento, se instala um dos piores inimigos do ser humano: a obsessão.
A obsessão chega e diz:
"O seu destino a partir de agora me pertence. Farei com que procure por coisas que não existem.
"A sua alegria de viver também me pertence. Porque seu coração não terá mais paz, já que estou expulsando o entusiamo e ocupando o seu lugar.
"Deixarei que o medo se espalhe pelo mundo, e você estará sempre apavorado, sem saber por quê. Não precisa saber - o que precisa é ficar apavorado, e assim alimentar cada vez mais o medo.
"O seu trabalho, que antes era uma Oferenda, foi possuído por mim. Os outros dirão que você serve de exemplo, porque se esforça além do limite, e você sorrirá de volta e agradecerá o cumprimento.
"Mas no seu coração eu estarei dizendo que o seu trabalho agora é meu e servirá para afastá-lo de tudo e de todos - de seus amigos, de seu filho, de você mesmo.
"O seu Amor, que antes era a manifestação da Energia Divina, também me pertence. E aquela pessoa que você ama não poderá se afastar um momento sequer, porque eu estou na sua alma dizendo: 'Cuidado, ela poderá ir embora e não voltar.'
Embora a ansiedade faça parte da nossa vida, jamais deixe que ela passe a controlar seus movimentos.
Se chegar perto demais, diga-lhe: "Não me preocupo com o dia de amanhã, porque Deus já está lá, me esperando."
Assim você manterá a ansiedade a distância.
Ela não desaparecerá nunca. Mas a grande sabedoria da vida é entender que podemos ser os senhores daquelas coisas que pretendiam nos escravizar."
Paulo Coelho - Manuscrito Encontrado Em Accra
Miracle
"Senhor, o milagre nosso de cada dia nos dai hoje.
Mesmo que não sejamos capazes de notá-lo, porque nossa mente parece estar concentrada em grandes feitos e conquistas. Mesmo que estejamos ocupados demais com nosso cotidiano para saber como o nosso caminho foi alterado por ele.
Que, quando estivermos sós e deprimidos, tenhamos os olhos abertos para a vida que nos cerca: a flor nascendo, as estrelas se movendo nos céus, o canto distante do pássaro ou a voz próxima da criança.
Que possamos entender que existem certas coisas tão importantes que é necessário descobri-las sem a ajuda de ninguém. E que nesse momento não nos sintamos desamparados: estamos sendo acompanhados por Vós e estais pronto a interferir se nosso pé se aproximar perigosamente do abismo.
Que possamos seguir adiante apesar de todo o medo, e aceitar o inexplicável apesar de nossa necessidade de tudo explicar e conhecer.
Que compreendamos que a força do Amor reside em suas contradições. E que o Amor é preservado porque muda, e não porque permanece estável e sem desafios.
E que, cada vez que virmos o humilde ser exaltado e o arrogante ser humilhado, possamos também ver aí o milagre.
Que, quando nossas pernas estiverem cansadas, possamos caminhar com a força que existe em nosso coração. Que, quando nosso coração estiver cansado, possamos mesmo assim seguir adiante com a força da Fé.
Que possamos ver em cada grão de areia do deserto a manifestação do milagre da diferença, e isso nos encorajará a nos aceitarmos como somos. Porque, assim como não existem dois grãos de areia em todo o mundo, tampouco existem dois seres humanos que pensam e agem da mesmo maneira.
Que possamos ter humildade na hora de receber e alegria no momento de dar.
Que possamos entender que a sabedoria não está nas respostas que recebemos, mas no mistério das perguntas que enriquecem nossa vida.
Que jamais fiquemos presos às coisas que julgamos conhecer - porque na verdade pouco sabemos do Destino. Mas que isso nos leve a agir de maneira impecável, utilizando quatro virtudes que devem ser conservadas: ousadia, elegância, amor e amizade.
Que antes de despertar o amor nos outros, possamos acordar o Amor que dorme dentro de nós mesmos. Só assim poderemos atrair o afeto, o entusiasmo, o respeito.
Que saibamos distinguir entre as lutas que são nossas, as lutas para as quais estamos sendo empurrados contra a nossa vontade e as lutas que não podemos evitar porque o destino as colocou em nosso caminho.
Que nossos olhos se abram e possamos ver que nunca vivemos dois dias iguais. Cada um trouxe um milagre diferente, que fez com que continuássemos respirando, sonhando e caminhando debaixo do Sol.
Que nossos ouvidos também se abram para escutar as palavras certas que surgem de repente da boca de nossos semelhantes - embora não tenhamos pedido nenhum conselho e nenhum deles saiba o que se passa em nossa alma naquele momento.
E que, quando abrirmos a boca, possamos não apenas falar a língua dos homens, mas também a língua dos anjos, e dizer: "Os milagres não são coisas que ocorrem contra as leis da natureza; não pensamos dessa maneira porque na verdade não conhecemos as leis da natureza."
E que, no momento em que conseguirmos isso, possamos então abaixar a cabeça em respeito, dizendo: "Eu estava cego e consegui ver. Eu estava mudo e consegui falar. Eu estava surdo e consegui ouvir. Porque as maravilhas de Deus se operaram dentro de mim, e tudo o que eu julgava perdido retornou."
Portanto, Senhor, dai-nos hoje o milagre nosso de cada dia.
E perdoai-nos se não somos capazes de reconhecê-lo sempre."
Paulo Coelho - Manuscrito Encontrado Em Accra
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