terça-feira, janeiro 01, 2013

Sobre A Crítica



Dando início a uma série de reflexões acerca do comportamento humano, escolhi a crítica.

Todo fim de ano vemos pessoas reacessando memórias do ano que se finda e vemos trocas de desejos de muitas coisas que julgamos faltar no ser alvo dos votos ou que julgamos essenciais à felicidade do mesmo, tais como amor, paz, felicidade, saúde, dinheiro, etc. Muito natural pra mim ver essas coisas, com as quais estou acostumado a lidar. Porém, um fato vem me chamando a atenção: a crítica de muitas pessoas sobre esse reacesso a memórias e sobre os votos de fim de ano. Vamos por parte, ao analisar as críticas acerca da retrospectiva do ano vi inúmeros comentários do tipo “reclama o ano inteiro e depois vem agradecer pelo ano bom”. É claro que todos nós passamos por maus momentos ao longo de um ano, um ano é um período demasiadamente longo para que tudo seja flores e momentos de tristeza e angústia fazem parte da vida de todos, e caso alguém sinta a vontade e/ou necessidade de compartilhar o seu pesar de alguma forma, onde o mal nisso? Se a pessoa sentir-se-á melhor desta forma e isso auxiliará no processo de atenuação de sua mágoa não vejo condenação aceitável sobre tal ato. Vivemos em uma cultura onde não cultuamos o sofrimento (ainda vou escrever sobre isso), logo, quando alguém pretende acessar as memórias de um ano, ela tende a ser grata pelos momentos bons, não há porque reviver memórias que lhe são amargas, logo, tal comentário dos críticos não apresenta um fundamento lógico. Quanto aos votos de fim de ano, me deparei com críticas acerca da fidedignidade dos sentimentos. O ser humano é um ser muito complexo, e complexa é também a natureza dos seus sentimentos, pois a relação interpessoal é influenciada por fatores imensuráveis e com uma subjetividade infinita, logo analisar a fidedignidade dos sentimentos de alguém é uma tarefa assaz arriscada e obviamente tal fato, sendo feito de uma forma generalizada, é uma afronta ao raciocínio lógico e já não merece mais profundas análises e comentários. 

Apesar de discordar em muitos pontos com essas observações, isso não me surpreendeu, e muito me fez pensar sobre a natureza da crítica. Vejamos algumas conclusões. Há aquela crítica onde o crítico de fato acredita no que está falando, o que vou chamar de “crítico convicto”, e nesse caso ele persistirá na garantia de sua razão. E dentro desse há os que têm a sua razão sem uma análise dos porquês de sua crítica, chamá-los-ei “críticos cegos, surdos, porém não mudos”; e os que têm a sua razão fundamentada em um pensamento acerca das razões que o levaram a tal convicção, chamá-los-ei “críticos racionais”. Os primeiros não são dignos de análises acuradas acerca de seus comentários, uma vez que os mesmos não passam pela razão, e no mundo fora da razão a análise não é bem-vinda. Os últimos podem ser subdivididos em “críticos racionais flexíveis”, que são os que estão abertos a comutas em seu ponto de vista; e em “críticos racionais inflexíveis”, que são os radicais, que acreditam em suas verdades de uma forma absoluta. Outra forma de crítica, em oposição à do “crítico convicto” é a crítica oriunda dos que criticam sem acreditar de fato em suas razões, por vezes têm até uma opinião opoente, chamá-los-ei de “críticos dúbios”, e os subdivido em “críticos dúbios conscientes”, que são os que têm ciência de sua falsa crítica; e os “críticos dúbios inconscientes”, que são os que não têm essa ciência, e agem de forma a se enganar sobre a sua verdade. Os “críticos dúbios” merecem uma atenção especial, pois quais fatores poderiam ser responsáveis para que uma pessoa faça uma crítica sem acreditar de fato nela? Vejo nisso uma forma de radicalismo, dentre os inúmeros fatores que podem originar tal comportamento, e esse radicalismo consistiria em estar-se radicalmente apegado à sua verdade, ao ponto de não abandoná-la, mesmo verificando sua inadequação. Logo, em síntese, temos:


- Crítico Convicto
                - Crítico Convicto Cego
                - Crítico Convicto Racional
                               - Crítico Convicto Racional Flexível
                               - Crítico Convicto Racional Inflexível
- Crítico Dúbio
                - Crítico Dúbio Consciente
                - Crítico Dúbio Inconsciente


E a ditosa “crítica construtiva”? Acredito que só podemos encontrá-la dentro dos críticos convictos racionais flexíveis, pois para que a crítica resulte em algo positivo ela deve ter uma base em que se fundamentar, daí a convicção racional, e, outrossim, tem de estar aberta a modificações, caso se façam necessárias.

Meu objetivo aqui não é condenar a crítica, e tampouco poderia fazê-lo, pois seria uma análise assaz antagônica, uma vez que a condenação já é uma forma de crítica. Logo, não a condeno, apenas levo à reflexão o fato de haver formas mais ou menos justas de fazê-la. Vale analisar que tipo de crítico temos sido.

É claro que isso é apenas um ensaio sobre a crítica e suas inúmeras facetas. Poderíamos divagar perenemente sobre esse comportamento humano. De forma cômica, mas muito adequada, advirto aos que discordam desta postagem que podem criticá-la, mas, claro, de uma forma convicta, racional e flexiva.

A Good Year


2013! Mais um ano começando. Tempo de fazer uma retrospectiva em nossas vidas. E neste blog eu tenho muitas lembranças armazenadas, afinal, nesse novo ano completo 6 anos de blog, e essas reminiscências que encontro aqui são o fator principal que me fazem permanecer a postar. É maravilho rever postagens antigas e me lembrar do que me motivou a criá-las. Comecei a postar aqui aos 16 anos de idade, em exata uma semana completo 22, e aqui deixei as pegadas de toda essa minha transição ao longo desses anos, por isso resolvi mudar o nome do blog de “Who Are We” (bem piegas e pueril por sinal) para “Footprints In The Sand” (bem dramático, porém divertido). Mas, o foco aqui hoje não é o meu blog. Falarei na próxima postagem sobre algo mais profundo, voltando, finalmente, às minhas raízes!